Arquivo para catimbeiro

Lili Carabina vive

Ou eu to maluca, ou são os policiais que eu já li, ou eu tava num filme e não percebi: andei de ônibus hoje com um casal de ladras. Que tamanha emoção.

Horário comercial de almoço, no 110 via Lebronx, altura do Rio Comprido. Tou eu sentada olhando a chuva e isolando o guarda-chuva prele não molhar mais minha calça, entra um casal suspeito e aflito. A Gorda 1 era o marido, percebi pela iniciativa de dar a vez pra Gorda 2, de pagar a passagem e de MANDAR a outra sentar: – Sentalá, Suzete! Só faltou o “porra” no final da ordem.

Estavam escalafobeticamente vestidas, tinham muitas bolsas, e pareciam se esconder de alguém. De mim que não era. Então continuei olhando pra ver o desenrolar daquelas aparições. A G2, esposa, já estava sentada, mas a camada de banha que ela tinha nas costas não me permitiu ver o que ela tinha nas mãos. Muito menos nas bolsas.

Enquanto isso, da roleta vem desfilando seu coturno, sua pochete, seu boné e seu jeito delicado de moça a G1. Puxa o freio da Scania e senta: – Chega pra lá, Suzete! Porra. As duas se acomodam, uma na banha da outra, e sem se preocuparem com quem estava atrás, só olhavam para os lados, começam a tirar coisas de dentro de uma das bolsas. Bolsa brilhosa que provavelmente não era delas.

Coisas: um anelzinho solitário, duas pulserinhas de cristal, um par de brincos, um relógio. A G1, o maridão, começou a se adornar ali no meio do ônibus. Nesse momento eu pensei: – Vaidosa, hein. Nunca diria. E o pensamento seguinte foi: – Ah, sim, ela é aquele tipo de sujeito cauteloso que sai de casa sem nada de valor pra não chamar atenção e ser assaltado. Ainda mais naquela área do Rebouças, acontece muito.

Mas logo em seguida ela começou a remexer a bolsa, e de lá saíam canetas, cadernos, um jaleco, um estojo de óculos. E dava pra perceber a surpresa dela e da G2, a cúmplice, em esbarrar com cada uma daquelas coisas. Não lhes pertencia, facto. Pensei: – Caralho, acabaram de assaltar uma estudante! De Enfermagem ou Fisioterapia! Da Estácio. Ou será que acharam essa bolsa em algum lugar?

Não sei. Mas prefiro achar que tinha sido assalto. Muito mais emocionante. Me caguei de medo, claro, mas fui observando e viajando nessa história até Lagoa quando elas fizeram sinal e – Paraí, motorista, póerra, quérélio! E desceram. Ufa na adrenalina e blé porque acabou e recomeçou a vida real. E eu só sei que a G1 não deu nem um brinquinho pra G2, deixou chupando dedo que eu vi! Não se faz mais gentleman como antigamente.

Plenty more

Quanto mais eu rezo, mais MONSTRUO me aparece.

Unidunitê

O São Francisco não dá leite

Até que enfim o bispo parou com essa palhaçada de greve de fome. Mas embora eu ache palhaçada e vergonha alheia, acredito que tenha sido muito difícil pra ele. Por quê? Porque padres, bispos, missionários, coroinhas e companhia comem pra caralho. Vocês já repararam que existem mais padres gordos que padres magros? O clero, em sua maior parte, é constituído de obesos. Padre come muito, e se for padre rico, então. Porque não tem muito essa de padre fudido, de largar tudo pela batina. Existem as exceções, claro, os santos anjos do senhor. O resto é tudo ladainha e ORGIA. Rs.

Talvez eu tenha uma visão caótica desse universo, mas meu “testemunho” é sincero. Eu vi e vivi a hipocrisia de perto, estudei em colégio católico. Fiz até comunhão! As minhas aulas de catecismo foram dadas em LATIM por um padre italiano. Me pergunta aí se eu aprendi alguma coisa. Só me divertia. O latim, para uma criança de 10 anos, soava estranho e instigante. E embora eu não entendesse quase nada, ficava brincando de tentar entender. Só havia participação da turma quando era pra se benzer, porque aí é mais fácil e todo mundo entendia. Ou nem tanto, tem gente que beija a mão na hora do “amém” até hoje. E que diferença faz?

Eu vi cada coisa por lá… já vi até padre ser transferido de Inspetoria porque dava mole pra aluno. Mole mermo, chamar pra sacristia, assim, em plena luz do pátio. Cada história macabra, irmão. Eles vivem no maior conforto, celebram seus showzinhos, têm tempo pra ler, pra pensar sacanagem, contar histórias chatas e com lição de moral, viajar… E de noite? Enchem o rabo de vinho e vão dormir bêbados.

Assim até eu. E em outras épocas, depois de tanta heresia, eu estaria ardendo no fogo do inferno. Ou “fritando” no fogo do inferno, para usar uma expressão mais moderna.

Será um inferno uma rave? Se for, Jesus, me manda pro purgatório porque lá com certeza rola roquenrou.

Ombudsman

Andaram reclamando aí que eu estou mórbida e florista e cheia dos defuntos. Ora, qual é o caroço? Agora querem definir sobre o quê eu devo escrever? Faltava essa. Isso aqui não é o Globonline, não. Os temas não estão abertos para votos.

E se eu estou monotemática, paciência, há duzentos anos os jornais escrevem as mesmas coisas e o mundo não mudou muito depois de Cristo. Querem novidades? Procurem o Oswald de Andrade. Quem leva pra passear na Europa é ele, eu nunca saí de Sanja.

Escrevo sobre o que me dá vontade. Se escrevo sobre flores é porque as descobri recentemente. Ou porque qualquer outro motivo.

Deposita uns cobres no Banco do Brasil e aí pode definir a pauta.

Regina Duarte

ontem teve show do cordel do fogo empanado no rio de janeiro. eu não fui, mas segundo informações dos jornalistas do bad trip, o lirinha não fez chover, nem ventar, nem cair feijão de soja. porém, dizem que ele trajava uma camisa-de-força, o que faz sentido? não sei se vocês sabem alguma coisa a respeito dos caras, mas é como se fosse uma seita-lenda, rola um fanatismo sinistrinho.

eu tenho medo.