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Marimba

O Natal tem três baratos: comer, beber e ser lembrado por amigos queridos. E tem dias que eu só preciso comer, beber e encontrar amigos queridos. Às vezes eles estão longe, e eu nem sei onde eles estão. Não costumo mandar cartão de Natal ou o que seja, mas penso nesses amigos com saudade e alegria. E bom, receber mensagem/ligação de pessoas que a gente ama pra caralho, mas que raramente vê ou fala, assim, sem cobranças e com beijos anexados, é quase como ganhar uma festa surpresa.

Hoje, no final da tarde, eu tava tomando uma vinhola deitada na rede e ouvindo musga e lembrei da Mari, Marimba, como apelidei faz cinco anos. Uma amiga que só vejo em fotos, mas de quem tenho recordações fantásticas. Éramos cúmplices de piada, formávamos quase uma dupla de humor. Uma pilha minha e da Mari podia fazer alguém se aborrecer seriamente. Mas depois passava.

Explico: durante a adolescência, parecíamos aqueles dois moleques mais bagunceiros da turma que sentam no final da sala, não fazem nada, atrapalham a aula, sacaneiam todo mundo e ainda por cima são queridos da galera. Porque no fundo são só brincalhões.

Nunca estudamos juntas. E imagino se. Imagino também se tivéssemos nos conhecido na infância. Nos conhecemos no final do segundo grau, muito longe das escolas uma da outra, por um feliz acidente do destino. Na faculdade, ela escolheu Psicologia, e eu Publicidade, e um dia me convidou pra assistir uma aula com ela. É um lance que eu sempre lembro, era uma quarta-feira de muito sol na Gávea, mas o nome da matéria eu esqueci porque não prestei atenção.

E nós SEMPRE trocamos mensagens no Natal, normalmente mensagens ilícitas. Em pelo menos dois anos seguidos eu mandei mensagem pra ela assinando como Papai Noel Comedor de Cu de Criancinha, que era meu personagem revoltado de Natal, criado durante as ceias tediosas que rolavam na casa dos coroas. Ela, que estava ou em casa ou na casa da avó, respondia no mesmo (fino) naipe.

Acordei do ronco de vinho, e fui atrás do meu celular, que eu não sabia onde estava há dois dias. Encontro-o desligado. Ligo e dali a três minutos pililililim: nova mensagem de mari. Olho a hora da mensagem e era mais ou menos a mesma hora que eu pensei sobre todas essas coisas.

E ela ainda me chama de Beber Maria…

Emocionei. :~

Mari, se você ainda passa por aqui, um beijo pá tu.