Arquivo para Junho, 2007

Anarriet

Quem passar pela Av. Paulishta hoje depois do trabalho entra na Casa das Rosas que vai ter quadrilha.

Eu só vou porque me prometeram Quentão.

UPHO

O passarigno

me acordava
todo dia
de manhã

agora as descargas
dos ônibus e vasos
sanitários

saudade
é destino.

Pro pequeno Alabama

Rosala Hits

La partita di pallone
(Rita Pavone)

Perché perché
La domenica mi lasci sempre sola
Per andare a vedere la partita
Di pallone, perché, perché
Una volta non ci porti pure me
Chissá chissá
Se davvero vai a vedere la tua squadra
O se invece tu mi lasci con la scusa
Del pallone, chissá, chissá
Se mi dici una bugia o la veritá
Ma un giorno ti seguiró perché
Ho dei dubbi che non mi fan dormir
E se scoprir io potró
Che mi vuoi imbrogliar
Da mamma ritorneró
Perché perché
La domenica mi lasci sempre sola
Per andare a vedere la partita
Di pallone, perché, perché
Una volta non ci porti pure me
Ma un giorno ti seguiró perché
Ho dei dubbi che non mi fan dormir
E se scoprir io potró
Che mi vuoi imbrogliar
Da mamma ritorneró
Perché perché
La domenica mi lasci sempre sola
Per andare a vedere la partita
Di pallone, perché, perché
Una volta non ci porti pure me
Una volta non ci porti pure me.

Compartilhei essa musga no RapidShare. Pra quem nunca usou RS: escolha “free, depois digite o código e foi.

Dízimo

Acabei de saber que foi confirmada a missa da Bjork no Brasil.

Será realizada na capela principal de um dos dias do Tim Festival 2007, de 25 a 31 de outubro no RJ, SP, CTBA e Vitória.

Eu não sou fã da Bjork, mas vou tentar garantir um banco pra ver a celebração de fé de seus seguidores.

Capaz de ser bem bonito, mas se bobear vai ter até morte.

FALAPE DUZENTUZICETH

FLAP 2007: CONTAMINAÇÕES

ÇAMPAULO

29 de junho: Casa das Rosas (Av. Paulista, n° 37)

30 de junho e 1º de julho: Espaço dos Satyros I (Pça. Roosevelt, nº 214)

PROGRAMASSÃO

Cesta-pheira, 29 de junho
Aberto para Balanço: Leitura de Poesia Contemporânea

19h: Apresentação: Frederico Barbosa
Abertura: Eduardo Lacerda e Thiago Ponce, Projeto Identidade

Alfredo Fréssia (Contador Borges e Fábio Aristimunho Vargas)
Antônio Vicente Pietroforte (Del Candeias e Delmo Montenegro)
Lilian Aquino (Andréa Catropa e Heitor Ferraz)
Cláudio Daniel (Eduardo Jorge e Adriana Zapparoli)
Maiara Gouveia (Cláudia Roquette-Pinto e Rodrigo Petrônio)
Fabiano Calixto (Benjamin Prado)
Horácio Costa (César Vallejo e Xavier Villaurrutia)
Paulo Ferraz (Donizete Galvão e Fábio Weintraub)

21h – Intervalo
Cláudio Willer (lê amigos)
Mavot, Cooperifa (Eduardo Lacerda e Sérgio Vaz)
Bruna Beber (Ana Guadalupe e Alice Sant’Anna)
Pedro Tostes (Maloqueiristas: Berimba de Jesus e Caco Pontes )
Dirceu Villa (Ana Rüsche e Ricardo Domeneck)
Ronald Polito (Carlos de Oliveira e Júlio Castañon Guimarães)
Ruy Proença (Antônio Moura, Eucanaã Ferraz e Rubens Rodrigues Torres Filho)
Sérgio Mello (Augusto Silva e Luana Vignon)

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Çábado, dia 30 de junho
Espaço dos Satyros I, Pça. Roosevelt, nº 214

[1] 10h às 11:30h – Abre-alas: Contaminações
Mediação: Andréa Catropa, poeta
- Antonio Vicente Pietroforte, escritor e Prof. Dr. Depto. Lingüística, FFLCH-USP
- Glauco Mattoso, poeta
- Anselmo Luis, o Bactéria
- Marcelino Freire, escritor

[2] 13h às 14:30h – Turma do Fundão: A Literatura na Sala de Aula
Mediação: Ivan Antunes, poeta
- Maria Elisa Cevasco, Profa. Dr. Depto. Letras Modernas, FFLCH-USP
- Rodrigo Ciríaco, escritor e educador
- Eduardo Araújo Teixeira, professor da rede pública (a confirmar)
- Adilson Miguel, editor de literatura juvenil
- Eduardo Lacerda, editor de O Casulo – Jornal de Poesia Contemporânea

[3] 14:30h às 17h – E quem vive disso?
Mediação: Ana Paula Ferraz, jornalista e escritora
- Marcelo Siqueira Ridenti, Prof. Titular de Ciência Política, UNICAMP
- Santiago Nazarian, escritor
- Maria Luíza Mendes Furia, poeta
- Andrea Del Fuego, escritora
- Juliano Pessanha, escritor

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Doomeengo, dia 1º de julho
Espaço dos Satyros I, Pça. Roosevelt, nº 214

[4] 12h às 13:30h – O Além Livro
Mediação: Del Candeias, poeta
- Alberto Guzik, crítico, escritor e dramaturgo
- Lourenço Mutarelli, escritor e cartunista
- Mario Bortolotto, escritor e dramaturgo
- Eduardo Rodrigues, escritor e roterista de quadrinhos

[5] 14:30h às 16h – Influenza: Soy loco por ti America
Mediação: Fabio Aristimunho Vargas
- Vanderley Mendonça, editora Amauta
- Horacio Costa, poeta e Prof. Dr. Depto. Letras Clássicas
- Maria Alzira Brum, tradutora e escritora (a confirmar)
- Alfredo Fréssia, poeta e tradutor
- Joca Terron, escritor

171 kudos

Descobri que o comediante americano Demetri Martin também escreve poesia.

Dando uma zapeada no blog dele no MySpace, vi visual e versos livres.

Sincero.

Paudiarara

E a discussão sobre o êxodo rural do RJ pra SP rende.

Nix foi o primeiro a falar. Helena falou, Fred falou, Sarah falou.

Falar é uma ação que tenho praticado pouco. Ainda sou uma ouvinte da cidade.

A-au-aaaaal ao ler a Folha de SP hoje

CECILIA GIANNETTI

De mudança

São Paulo atrai com tudo o que o Rio não tem mais desde que começou a deixar de ser mercado para ser balneário

QUANDO SÃO Paulo me rouba um amigo, engulo em seco e minto: não é o fim da picada, vamos nos visitar. Aí São Paulo -gigante, esperta, não dá pra brigar com ela- vai e me rouba outro. Ameaça carregar mais.

Ultrapassa qualquer lugar do Brasil nesse esporte cruel de tragar filhos do balneariozinho macabro de onde teclo, de levar embora quem me torna suportável o exercício diário de encarar as mesmas calçadas esburacadas.

O abominável excesso de adjetivos hoje não é tentativa de vingança contra São Paulo: é reação que não posso evitar quando essa cidade adota mais um dos meus. Cuspo adjetivos, advérbios; melhor do que chorar, verbo copioso. Autodestrutiva, uso até o ponto-e-vírgula, coisa que Kurt Vonnegut enquadrava como crime.

Brasília até hoje só me levou um amigo (tinha ambição de diplomata, fazer o quê, prendê-lo ao pé da mesa?), contra a legião que migra para SP agora no que me parece uma revoada. Meus anjos todos se mandando daqui.

Marketing, tecnologia, assessorias, bons salários. Empregos! Nenhum desses ex-cariocas que conheço mudou-se por amor. Nenhum deles conheceu uma moça (“os cornos da Audrey Hepburn”) num centro cultural da Paulista e ficou. Fala mais alto a primeira necessidade, apelido do dinheiro, que não é chique mencionar. Quem pode culpá-los? Não os cariocas.

São Paulo atrai com tudo o que o Rio de Janeiro não tem mais desde que começou a deixar de ser mercado para se tornar quase exclusivamente balneário (macabro, macabríssimo), sem que essa transformação resultasse em grandes saltos positivos para o turismo local. Pelo contrário, a turistada também há de fugir.

Péra lá, aqui ficam poucos e bons. Mas até quando? Nem quero pensar nisso. Prefiro ser pega de surpresa, com a notícia chegando de longe, a 400 km de distância. À francesa: “Não vivo mais aí”.

Sem festas de despedida, sem abraços, sem presentes, sem promessas. Vão pra Lôca, pro cinza, Cemitério de Automóveis, Mercearia São Pedro, cortes de cabelo assimétricos, inverno sério, digno de cachecol e sobretudo, vão.

Pra mim encerra-se a picuinha bairrista centenária: São Paulo, de fato, é melhor do que o Rio agora que vocês estão lá. Os que sobramos na cidade fantasma reconhecemos meia dúzia de rostos e mais ninguém. Qualquer dia também fugiremos, vão arrumando o sofá pra gente dormir na sala.

Outros irão pro exterior, não lhes bastará distância pouca. Como se fosse necessário esvaziar um país inteiro para que ele se reconstrua sozinho. Não se pode culpá-los também. Talvez, num lance inédito da história mundial, o poder regenerativo do Brasil prescinda de pessoas para se pôr em ação.

Aos que partem, portanto, boa cidade nova. E um refrão do Antonio Cícero que a gente ouvia no rádio, na famigerada década de 80: “Você me abre seus braços/ e a gente faz um país”.

Manhãs

penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, ir tocando em frente.

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do Almir Sater e Renato Teixeira
cantado pela Bethânia
hoje é aniversário dela.

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do Paul Macc. também.

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Não os versos, o aniversário.

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E amanhã do meu pai, O GRANDE BILL.

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E p q estou falando tudo isso, e p q sumi?

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Não sei.

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Me mudei pra SP. Cheguei ontem.

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Já saudade de Sanja, meu pequeno Alabama.

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Saudade também da mõe.

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Do pai.

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De tudo e de todas.

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do passarinho que me acordava
agora acordo com as descargas
dos ônibus.

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Adeus, samambaias. Troquei todos os morros
por uma cadeia infinita de paredes.

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q

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a saudade é destino, ó

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do ninho para o mundo
de Sanja para as nuvens de cimenticola
do Rio de Janeth para o Parque Industrião.

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MISSIGURA, ÇAMPAULO.

meu sonho sempre foi

construir um pequeno museu.

passei a infância juntando coisas velhas, e carregando de um lado pro outro quinquilharias sem valor. elas me revelavam surpresas que ainda não consigo narrar hoje. e meu interesse por elas sempre foi maior do que pelos brinquedos que andavam, falavam, davam cambalhotas. eu queria o silêncio do desconhecido e dos brinquedos que eram simplesmente brinquedos e não tinham as caraterísticas humanas. o inanimado pode ser bastante lúdico.

tenho tudo até hoje guardado com todas as outras coisas velhas que comprei desde então. e vou continuar comprando até que minha saudade-por-saudade, esse ranço, passe. é um tipo de melancolia. sem explicação. não sei, acho que nasce-se assim, talvez seja doença hereditária. lá no broto da minha árvore geneálogica alguém importante deve ter morrido de espera. ou de tristeza, lendo casimiro de abreu.

meu destino é ser mesmo A VÉIA DO SACO. e falar sozinha, e me lavar no meio da rua sem pudor usando latas velhas. vai estar bastante longe de ser uma performance, e, dessa vez, ninguém entenderá como proposta os delírios. e dançar sozinha na porta de uma loja de discos (se é que isso ainda vai existir até lá), fazendo a alegria diária dos vendedores e da calçada minha pista de dança particular. todo maluco é individualista.

e carregar sempre comigo, pendurado numa cordinha colorida, um apito ou outro objeto que me possibilite fazer algum estardalhaço. como se a esta altura, o estardalhaço, como evento, ainda fosse necessário. e usar casacos no calor, e assustar crianças medrosas e ficar amiga das crianças doces na filha do pipoqueiro. e contar histórias a desavisados, que não vão me ouvir, e andar com os pombos, e criar uma dúzia de cachorros, e esquecer, aos poucos, tudo o que um dia aconteceu.