Arquivo para Maio, 2007
Confortrans
Tá tocando uma música do Koop na propaganda nova do Comfort, “I see a different you”, do álbum Koop Island.
Boa escolha. Essa música é uma das faixas que a Yukumi Nagano (musa do Bife Sujo) canta. A música é foda. Aliás, o álbum inteiro.
Já falamos deles e dela por aqui uma, duas vezes.
o clipe original:
So we are astray
There’s nothing else to do
In another place
I see a different you
O SEGREDO É QUE EU NÃO OUÇO
O The Simpsons Movie só estréia aqui no Braza em agosto, mas a Fox Films já liberou conteúdo exclusivo (que só vai ao ar segunda-feira) pros BlogHunters e pros tarados.
Por exemplo, uma entrevistazinha com o Homer-Deus:
Pra visualizar grandão, fiz a gentileza.
Bastão
Hoje entrou no ar a última edição da minha curadoria no Portal Literal.
Textos de Ismar Tirelli Neto, Nuno VirgÃlio, Pedro Mandagará e ilustras do Carlos Carah.
A partir de semana que vem um outro poeta assume.
O Poeta
Você nem mesmo escolheu, o que estava destinado,
Aquele dom.
Portanto você deve seguir o melhor que puder,
Aquele pergaminho.
E será um estorvo para você muitos dias,
Aquela música.
Mas os amores lembrados e as mágoas nutrirão bem,
Aquela imagem.
E um ouvinte bondoso na rua vai aliviar sua dor,
Aquela canção.
E uma garota talvez retire da sua face por um momento,
Aquela máscara.
Mas por muitos dias irá suportar com dor, de joelhos,
Aquela dança.
E não será amado no vão das portas pela luz que ela desata,
Aquela jóia.
Há os que querem vê-la sem asas e sem lÃngua,
Aquela lenda.
Vestirá você com sobriedade, sem casaca,
Aquele tear.
Irá por fim possuir seu coração e seus ossos,
Aquele sÃmbolo.
Seu segredo está sempre além das suas dúvidas mais profundas,
Aquela runa.
Eles vão tirar das suas mãos viúvas por fim,
Aquela lira.
Não pense que um único verso ou frase jamais serão lembrados,
Aquela pedra.
George Mackay Brown/ Tradução: Virna Teixeira
PORTEIRA
Não comentei antes por falta de computador e expediente, mas fui convidada pela HeloÃsa Buarque de Hollanda para estrear a seção CURADORIA DE POETA, no Portal Literal, que todo mês vai convidar um poeta para mostrar os seus.
Sejam eles mortos, vivos, novos, velhos. Vale música, banda, artes plásticas, fotos do próprio pé, notÃcias do cerrado. Vale tudo. É uma espécie de blog por um mês.
Eu optei por mostrar os trabalhos de amigos pouco conhecidos, ou nada conhecidos. Com exceção do Sergio e do Marcelo, todos os outros não têm livros publicados, e a maioria nem se diz poeta, escritor ou bailarino.
Na primeira edição teve Sergio Mello e Marcelo Montenegro, dicas de álbum pra baixar e ilustrações do Rômulo Martinz. Na segunda, textos de LetÃcia Novaes, Fernanda D’umbra e Joana Coccarelli, e ilustras da Aline Jobim.
A terceira e penúltima parte entrou no ar hoje com poemas de Ana Guadalupe, Keli Freitas, Alice Sant’anna e ilustrações do Herbie. Ah, e uma tradução minha pro poema “Es olvidoâ€, do Nicanor Parra.
IRAY
Perdi a estréia, mas quarta estarei na primeira fila. Mal posso esperar pra ver a LetÃcia contar pra platéia do Galeria uma das histórias mais engraçadas que eu já ouvi na vida.
&
texto RODRIGO NOGUEIRA
direção ALESSANDRA COLASANTI
com FERNANDA FELIX E RODRIGO NOGUEIRA
TEATRO MARIA CLARA MACHADO (PLANETÃRIO)
RUA PADRE LEONEL FRANCA 240 – GÃVEA
(21) 2274-7722
TODAS AS QUINTAS DE MAIO E TERÇAS DE JUNHO ÀS 21H
ENTRADA R$ 15 pau
BURP
Assim como o viado (me recuso a falar VEADO e a falar BOCETA), a girafa e as vacas, eu também tenho um estômago de quatro quartos com vista pra latrina.
Portanto, mastigo, remastigo, engulo, cuspo. É um processo dramático que leva anos. Estou falando da terrÃvel doença de reescrever, que dizem piorar com a idade.
Ontem, relendo o CORRESPONDÊNCIA – Paul Cézanne, achei numa carta do Zola pro Cézanne, uma das centenas de cartas que eles trocaram na juventude, um recado:
“O artista não deve remodelar sua obra. Que o poeta, ao reler sua obra integral, suprima um verso aqui e ali, que mude a forma sem mudar a idéia, não vejo nisso nada de mal, creio mesmo ser uma necessidade. Mas que tardiamente, semanas, meses, anos depois, ele modifique radicalmente sua obra, mutilando aqui, reconstruindo mais adiante, é a meu ver uma tolice e tempo perdido. Além de destruir um monumento que traz de certa forma a marca de sua época, ele nunca fará de uma obra medÃocre, mas original, mais do que uma obra truncada, fria… [...]
Sou, pois, inteiramente da sua opinião: trabalhem com consciência, façam o melhor que puderem, burilem para melhor ajustar as partes e apresentar um todo conveniente e depois abandonem sua obra à sua boa ou má fortuna, sem esquecer de pôr embaixo a data de sua composição. Sempre será mais sensato deixar ruim o que está ruim e tratar de fazer melhor sobre um outro assunto.”
Reescrevo, também, porque gosto. Reescrevo meus poemas toda vez que os leio. No papel ou na cabeça. Sempre tento aprimorar sua engenharia, remodelar as palavras aos versos.
É assim com o livro e com todos os outros poemas. Uma espécie de aeróbica do cramulhão poeta! A matemática do fresco! O Sudoko dos desocupados! A minha arma pessoal contra a esclerose.
Entendam.
Arrotemos, pois, à vontade. Mas com distância.
E enquanto isso vamos lá: reescrevi esse texto e o transformei num poema.
Ah, micróbio, sai do meu corpo!




