Arquivo para Dezembro, 2006

A CIGANA LEU O MEU DIRTINO

Eu sonheeeeei.

E acordei gritando pra bateria da minha Escola de Samba:

Chegaí, 2007, porra!

Mas chega chegando!

E chega apaixonado porque a paixão é a moviola da vida.

Vou tomar muita cachaça porque a cachaça mata os bicho do corpo e da alma.

Pureza, pureza para todos!

Já são 15h36 do dia 31, to atrasada pra piranhage.

Vou lavar as partitura e partir Lagoa, onde caio na folia com o pessoal da pesada.

Obrigadas, galherada que acompanha o Bife Sujo e a Cutelaria, tamos aí nessas carnes.

:*

A filha

Já era divulgado que a frase a fila sem fim dos demônios descontentes no amor era uma pichação do viaduto da Perimetral, próximo ao Cais do Porto. No livro saiu como “Viaduto do Caju”, errata. E o “no amor” eu suprimi.

Escondidinha num lugar onde não circulam muitos pedestres, naquela parte semimorta do Rio. Eu pela frase há um tempo já, nos meus êxodos Sanja X Mundo. Sempre fui apaixonada por aqueles bairros soturnos que beiram o Cais, tudo que acontecia por ali me interessava, mesmo que não acontecesse quase nada.

E aí depois que saiu a resenha do livro no Prosa & Verso, o que tinha de mais foda pra acontecer aconteceu: encontrei o autor!
Carrossel de emoções, como diriam os poetas Claudinho e Buchecha.

Ele se chama Gustavo Speridião e é um artista plástico genial. Além de um puta poeta. Tá com um trabalho exposto numa coletiva no Hélio Oiticica (recomendo), organizada pelo Carlos Zílio, e ficamos amigos de infância.

É bizarro pensar que ele mora justamente num lugar que era minha passagem diária, ali do ladinho dos pontos finais da Praça Mauá, no Conceição, de frente pro Cais. E mais bizarro ainda pensar que eu também curtia muito um outro trabalho dele, o dos cubos brancos escrito NUVEM, que eu já curtia pra caralho, mas não fazia idéia de que uma coisa era ligada a outra.

Fui conhecer o ateliê do cara e foi um dos dias mais emocionantes do ano. Ele tem trabalhos fantásticos, cadernos de desenho, cartazes, idéias mirabolantes, histórias engraçadas, coleciona cadernetinhas da Casa Cruz como eu e tem quase a minha idade.

Ele chegou até mim por um anjo amigo que leu a matéria, o abençoado Carlos Zílio, e o avisou por telefone “Aquela frase que você pichou no Viaduto virou título de livro. Entra no endereço tal e procura a autora”.

E agora estamos aqui. Ele me disse que a “intervenção artística” dele não poderia ter tido melhor resultado/continuação, e eu acho que nenhuma outra frase resumiria tão bem o nó do meu livro.

Já somos parceiros pra sempre.

E temos idéias novas (propostas) pra botar em prática nos muros da cidade.

Aguardem.

Por enquanto, ela:

Pô, bicho

Sábado passado-véspera de natall, tou eu em minha primeira excursão pruma certa buate da Lapa de procedência suspeita (qual não é, qual não é?), 5 da manhã no final da vala, juntando meus pertences (e todo o resto que havia sobrado) pra sair fora quando uma voz surge atrás da minha cabeça:

- Então é aqui que você se inspira pra escrever seus poemas, né, Bruna Beber?

Reação imediata: q

Surpresa com a intervenção do Além, pensei “tá de sacanagem? tou ouvindo vozes!”.

Me enganei, ainda não foi dessa vez. A voz era um cara animadíssmo e agora ele estava na minha frente:

- Então é aqui, né, é aqui? Eu sabia, eu sabia!

(Frases censuradas)

Fiquei rindo, né, não ia decepcionar o rapaz.

Zooey reformulada

Zooey não se perfuma. Na minha opinião, péssimo hábito para mulheres. Veio ao meu encontro cheirando a fronha dormida, e me diz ser o seu cheiro natural. Péssimo hábito abusar da naturalidade. Alguma coisa tem de ser fingida, pelo menos no primeiro encontro, no nosso primeiro encontro.

O nosso primeiro encontro uma história sobre envelhecimento precoce contada no corredor escuro de uma buate que tocava rock n’ roll: não ouvi uma palavra. Nossa história imagens que desconheço, nosso encontro uma história que sequer começou. Por que eu deveria ouvi-la se preferia somente admira-la falar?

E enquanto isso imaginar a nossa casa no outro quarteirão. Na parede da sala a sombra de Zooey passa com um bigode de leite pra cama e apaga as luzes da varanda: resta, pendurada aos ganchos, uma rede arrebentada. E até ali, entre nós, espaços em branco, que não são lençóis nem túmulos recém-pintados em dia de finados.

::

AQUI Zooey em versos.

Saudosismo por Saudosismo

Dani Elba: Ai, ai, to com saudade.
Interlocutor curioso: De quê?
Dani Elba: Não sei.
Dani Elba: Não sei mesmo…

Dani Elba, o velho elefante , vai morrer de doença fora de moda, mas vai morrer feliz.

Pipipipipipipipi

Caralho, em duas semanas: Sivuca, Braguinha e James Brown com uma cajadada só!

O primeiro sutiã a gente nunca esquece

Saiu hoje na Imprença Nassional a primeira resëgna sobre o meu livro, esse neguinho aí do lado.

Jornal O Globo, sábado, 23 de dezembro de 2006, caderno Prosa & Verso, assinada pelo Ronaldo Bressane.

Já está disponível n’o globo da Interneth, mas eu acho mais emocionante sujar os dedos no jornal.

Quem não tem cadastro no site, não gosta de sujar os dedos no jornal ou tem pregui, pode ler aqui.

Se o Seu Lima (meu vô querido) estivesse aqui hoje estaria emocionado. Todas as vezes que alguma notícia boa chega eu lembro dele, que caminha vivíssimo do meu lado, seja de qual lado eu esteja.

Verão

Depois de recente inverno, pueminha novo no Cutelaria & Chapelaria.

Valsa brasileira

[Edu Lobo - Chico Buarque/1987-1988]

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer.

Valsa brasileira

[Edu Lobo - Chico Buarque/1987-1988]

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer.

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