Arquivo para Outubro, 2006
Quem não se arrisca não pode berrar
Morreu Duprat. E dia 10 de novembro faz 34 que foi o Torquato.
Mirtes de Artes
Mirtes Maria. De artes. Meu nome é MIRTCHIS, DE ARTISH. É, EDUCAÇÃO ARTCHÃSHTICA. E depois de se apresentar mascava o chiclete. Jogava pro outro canto da boca, baixava os óculos no nariz e te olhava por cima: – Tudo bem, queridinha? Agitava os cabelos com luzes louras e corrigia o caderno com bic azul. Em seguida, carimbava seu número da docência num mata-borrão que tinha a tampa encapada com plástico de papelaria e carimbava em cima do visto espalhafatoso de bic: Ótimo, mas precisamos melhorar. Ótimo, mas precisamos melhorar? Se eu tivesse seguido carreira de pintora, certamente teria a idéia de abrir um REI DOS QUADROS. Ou qualquer outra coisa que produza pinturas para demandas: quadros espelhados, paisagens, barcos parados em alto mar, cavalos num campo verde, cachoeiras, praias, anoiteceres. O top 10 dos clichês bizarros de pinturas mais vendidas para as massas. Péssima poesia. Na minha casa tinha tudo isso mais um quadro d’O GAROTO, do Charles Chaplin. Comprado, certamente, num supermercado. Cresci com ele velando as pesquisas-gincana que as minhas professoras pediam no Caderno de Casa, mas nunca conversamos. Na verdade, não tÃnhamos sido apresentados. Eu não sei o que é pior, ser professor ou tentar viver de arte. Acho que tentar viver de arte. Ser professor é uma glória pra poucos, praqueles que conseguem fazer uma mediatriz sem entortar ou saber conjugar o subjuntivo de verbos difÃceis. Eu nunca tive intimidade com compassos e réguas, escorregavam na minha mão, escorregavam também as gramáticas radicais do Sacconi das minhas oito tias professoras de LÃngua Portuguesa. Professor Pau-de-sebo, o tipo que lambe os dedos pra conferir seu exercÃcio de casa, que não tem outra cara que não seja de punheteiro. Mas é um rapaz sensÃvel. E rapazes sensÃveis não costumam andar por aÃ. Nunca gostei disso, que babassem meu caderno com cuspe de café com pó de giz. Você não sabe o que é crescer numa famÃlia de professores. É não poder falar “pra mim comerâ€. É viver meio no aperto, mas com muitos livros. É ganhar muitos livros, é ler muitos livros porque “quem lê vai mais longeâ€. Mais longe onde? Você sabe como é o vencer no subjuntivo? Futuro do subjuntivo, obviamente. Pior é a professora de artes que de artista não tinha nada. Era apenas prendada. Cresceu numa roça, aprendeu a pintar pano-de-prato e com essa desculpa foi tentar a vida na cidade.
Hoje eu leio os puemas que você fez pra mim
Não sei porque razão tudo mudou assim
Ficaram os puemas e você não ficou
Quantas vezes você disse que me amava tanto?
Ouououououou. Essas são as fotos da gente no CEP 20 MIL. Foi legal pra caralho. Tão legal que agora nós somos um trio de leitura de poesia. Deixa eu apresentar pra vocês meus grandes amigos CARU e LEE. Gravem esses nomes que eles são do piru. Vamos arranjar um nome pro grupo assim, a nossa cara, meio Rei Roberto, meio música contemporânea.
Mais fotos no Cute.
O vozeirão do Lee já foi lincado aqui, mas vai de novo.
extra C
NotÃcia fresca do blog do Tim Festival:
O show debut do “Cê”, último disco do Caetano, vai ser esse fds no fechamento do Tim Festival.
Dia 29, na madrugada de domingo pra segunda, no Tim Lab.
A Bala, que está credenciada para o evento, promete voltar aos trabalhos e obviamente não vai perder o show.
O Cê, surpreendentemente, é discão.
É HOJE
Vamos lá no cep 20.000, conforme indiquei no post abaixo.
O Chacal botou a nossa apresentação antes do show do CHELPA FERRO.
Assim eu desarranjo, porra.
Diário para Zzzz II
E Zooey não me deixou tampar os ouvidos. Me faz encarar os sons em geral, mesmo os mais fortes, do trem descarrilando nos domingos de manhã por causa do maquinista bêbado, do pássaro cantor frustrado que nos expulsa da cama todos os dias.
::
Ela na sua, eu na minha. Queria dividir minha cama com Zooey, mas ela não se interessa, prefere construir, entre nós, imensos espaços brancos. Que não são lençóis nem túmulos recém-pintados em dia dos finados, são campos, apenas. Nos perdemos em campos brancos, e não poderia ser diferente, já que não temos respostas.
::
Zooey foi a única mulher que eu amei, mas ela não precisa saber disso. É um dado desnecessário para uma relação como a nossa. É que, como a maioria das mulheres, ela não saberia administrar um Eu te amo. Tentaria me amarrar ao pé de juras eternas ou correria das minhas boas intenções.
::
E isso me deixa muito puto. Bem puto e mal intencionado. Não digo nada, engulo todos os Eu te amos que tenho por Zooey. Soco-os em balões a gás e solto no céu como presente para crianças mortas.
::
Ao contrário sou eu, que tenho uma relação diferente e saudável com Eu te amos: quando ouço um EU TE AMO, sincero ou falso, costumo ficar no mesmo lugar. Até porque nenhum outro lugar estaria tão confortável quanto o meu naquele momento. Mas isso foi antes de Zooey, acho que um Eu te amo de Zooey me faria amarrá-la ao pé de juras eternas. Com filhos incluÃdos!
(continua)
CUTELARIA & CHAPELARIA
Voltamos de roupa nova.
Tá praticamente impossÃvel consertar o problema da porra da sidebar da direita, mas eu não vou desistir desse template.
Gostei dele. Quem conseguir detectar, me ajude.
CUTELARIA & CHAPELARIA
Voltamos de roupa nova.
Tá praticamente impossÃvel consertar o problema da porra da sidebar da direita, mas eu não vou desistir desse template.
Gostei dele. Quem conseguir detectar, me ajude.
Diário para Zzzz
Zooey não se perfuma. Na minha opinião, péssimo hábito pra mulheres. Veio ao meu encontro cheirando a fronha dormida, e me diz ser o seu cheiro natural. Péssimo hábito abusar da naturalidade. Alguma coisa tem de ser fingida, pelo menos no primeiro encontro.
::
Nos binóculos, o abajur cor de vinho tinto, a casa de Zooey no outro quarteirão. Na parede, da janela do meu quarto, a sombra de Zooey passa com um bigode de leite para a cama e apaga as luzes da varanda. Resta, pendurada aos ganchos, uma rede arrebentada.
::
Zooey tem porte de armas. Matou um sujeito que invadiu seu apartamento no verão passado pra levar umas plantas raras que ela criara com carinho no jardim suspenso. Pei, pei, pei três tiros saindo do silenciador fizeram da barriga do sujeito um semáforo.
(continua)


