Arquivo para Junho, 2006

A musa que meu pai pediu a Deus

Também quero falar da Miranda July e do doce-primor: Eu, você e a galera.

Saí do cinema encantada como uma serpente de balaio no Sri Lanka. Entorpecida de visões do bem, trotando unicórnios pela cidade. Ou seja, no meu estado normal, porém um pouco mais afetada. E só hoje, quatro dias depois, consigo pensar algumas definições que não LINDO. Penso em SUSPIROS. Ou seja, eu não penso, só suspiro. Show de pureza.

Não gosto de dar dicas de cinema. Primeiro porque eu não entendo de cinema, segundo porque cinema pra mim não é câmera nem luz, é humor e PUESIA. Se falou com o espritu, eu gosto. E se não falou com o espritu não falou nada. E se não for assim eu durmo contando carneirinhos em cima da tela. É, sou down. Entretanto, cago opinião: É PHODA. Fudido, mesmo. Vale todos os níqueis pagos.

Desde “Árido Movie” eu não ia ao cinema. Por falta de oportunidade, tempo, dinheiro e vontade. Mentira, por falta de saco de ficar duas horas sentada e o filme ser um lixo. Acontece muito por essas bandas. E também porque nenhum filme me interessava. Tem dias que não podemos nos submeter aos riscos que pode dar merda. Temos aqui a seleção do Brasil que não me deixa mentir. Dá um oi pra platéia, Parreira. Mas aí, quando eu contabilizei sete pessoas falando a mesma frase “Bruna, vai ver Eu, você e todos nós” numa carreira de três dias, eu resolvi ir.

Agora vai você. E depois a gente conversa, que eu quero ver de novo.

Régia e anti-folk

Regina Spektor, lovely soviet kitsch, perturba a minha imaginação. E tá fazendo minha cabeça direitinho, que nem santo de macumba.

Deixo rodando os discos da garota e cada vez fico mais intrigada. Já ensaiei, mas até agora não consigo escrever nada importante sobre ela. Quando eu conseguir, publico na Bala.

A Bensa, imberbe talento hippie da nossa literatura salve-salve, me confessou: “Bah (essa interjeição é por minha conta porque ela esqueceu), Regina Spektor é bem massa, mas não consigo escrever ouvindo, me desconcentra muito.”

Sou do contra: Regininha me bota na linha. E me tira da linha. Me dá uma puta vontade de escrever, de pirar e de conhecer Nova Iorque. Antes dela, só o véio Graça conseguiu fazer tanta bagunça nas catracas.

Era isso que eu tava precisando ouvir desde New York Dolls.

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Pra quem quiser saber qualé, todos os álbuns estão de graça no Soulseek. Meu username: desktopicture.

Adicione e boas ondas, Aloha, Rico de Souza.

Rio de Janeiro: relevo e violência

Pronto. Finalmente consegui fabercastellizar esse poema.

A idéia é velha, mas a forma é nova. E é a final.

Agora morre, dirgrassado, te enterro aqui.

Estrias

Marido Rico de Moraes dice: são demais os perigos desta vida para quem tem paixão.

Prudença dice: paixão não é aquele óleo amêndoas?

My Space Cake

READERI à bosta.

Nem lembrava mais que podia ser divertido…

Dimaish

Em 1959, o maestro Tonjim escreveu DEMAIS em parceria com o Aloysio de Oliveira. Antes disso, em 56, o Jota Cá, olhudo que era, queria que o Brasil crescesse cinqüenta anos em cinco. Industrializou até a própria mãe! Abriu estrada como uma puta abre as pernas, e sim, a puta corrompida, a fim de superfaturar, já tava mandando rabiscar num papel manteiga o que hoje conhecemos por Brasilha. E aí, já quase no final, em 59 mesmo, ele mandou o FMI pra casa do caralho. Mandou ou não mandou? Risos.

Tempo passou, ditadura passou, Narinha gravou, Rorô gravou também, Jobim morreu e o João Nogueira gravou no songbook do homem. Não me lembro de mais nenhuma outra versão. Alguém? E hoje, 2006, acharam alguma coincindência?, Luiz Inácio, sem saber que rumo dar a sua carreira, quem sabe um projeto solo, diz que vai gravar também. Acho poético, mas vai vender. Afinal, trata-se de um belo desabafo sobre o mandato, o desgoverno, sua angustiada espera pelas eleições de outubro. E, sobretudo, sobre seu amor incondicional pela República Federativa da Banana no Cu.

Todos acham que eu falo demais
E que eu ando bebendo demais
Que essa vida agitada
Não serve pra nada
Andar por aí
Bar em bar, bar em bar

Dizem até que ando rindo demais
E que eu conto anedotas demais
Que eu não largo o cigarro
E dirijo o meu carro
Correndo, chegando, no mesmo lugar

Ninguém sabe é que isso acontece porque
Vou passar toda a vida esquecendo você
E a razão por que vivo esses dias banais
É porque ando triste, ando triste demais

E é por isso que eu falo demais
É por isso que eu bebo demais
E a razão porque vivo essa vida
Agitada demais
É porque meu amor por você é imenso demais.

E o povo urge: “Vire essa folha do livro, e se esqueeeeça de miiiiim/ Finja que o amor acabou, e se esqueça de mim”.

Joninha

Joni Mitchell no Brasil esse ano, é isso mesmo que eu ouvi?

Não sabe brincar não brinca, porra!

Blissful

Seilá, bicho.

Misturaí a lembrança infantil do comichão que fazia cócegas na sua barriga até chegar a hora de abrir seus presentes na noite de natal, as melhores supresas que você já teve, suas palavras preferidas, mijar de rir, rockinhos, chamegos, pão com ovo, cerveja de garrafa, seus amigos queridos de longe, trocar histórias antes de dormir, uma cidade que você adora e você vai entender o que é se sentir “bem-aventurado”.

Quando nada pode te deter, e até novela pode te inspirar.

Daí você consulta a Wikipedia pra relembrar sobre os tipos, classificações e características das nuvens e vai parar nas aulas de Ciências no pátio do colégio. A professora explicando que o céu é complexo, e você, lunático, olhando pra cima até perder o elástico do pescoço, sem entender porra nenhuma e pensando o que poderia fazer pra dar umas voltas por lá sem ser depois de morto ou via algum objeto de asa.

Muito tempo depois você descobre que não precisa fazer nada.

Acontece.

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