Arquivo para Setembro, 2005

Amigos

Para Cissa, Fred, Rafa, Ivan e Cardoso.

Eu sou o Alceu Amoroso Lima
das Construções Civis
E o Sérgio Naya
da literatura
Gostei, publico
Pagou, derrubo
Eu sou uma calça cáqui de veludo
puída entre as pernas
sem bolsos e sem marca
tamanho Silvia Popovic
Eu sou o Noriel Vilela
na pilha de mp3
da listinha do mp3 amigo
que rola pelo Gmail
Eu sou um “Nossos Clássicos” do Euclides da Cunha
marcado a lápis por um leitor desinteressado
que tinha prova na segunda-feira de manhã
Eu sou uma moto sem pneus
apostando corrida com os carrinhos de bebê da orla
pra ver quem chega primeiro ao metrô de Paris
Eu sou um torcedor maluco
c’o ouvido colado no radinho de pilha
gritando GOOOOOOOOOL
pros cavalinhos do Jockey.

CORTIÇO

Entrou no ar nossa Cortiça! Revista de literatura, poesia, jornalismo e outros baratos. Aberta pra quem quiser publicar e participar. Estão todos convidados. E acolhidos.

Eu cuido da poesia. E junto comigo, alguns bacanas que vão pintar por lá: Marcelo Montenegro, Maira Parula, Sergio Mello, Chacal, Mário Bortolotto, Caco Ishak, Diana de Hollanda, Fabrício Carpinejar, Caio Carmacho, Tchello Mello, Val Borges, Olímpio Rocha, Flávio Pucci e mais uma quadrilha ensandecida.

Textos, poemas, matérias, receitas, quadrinhos, ilustrações. O que seja. Mandem pra mim ou pro Nix.

Estamos esperando.

Tracy Chapman is back in town

E parece que eu engoli um rojão de festa junina. Acordei disposta como político em época de eleição. Pensando em emplacar um pop romântico na próxima novela. Nunca me senti como me sinto nesse vinte e cinco de setembro de dois mil e cinco. E vou aproveitar porque esse vinte e cinco de setembro de dois mil e cinco não volta nunca mais.

E já que não tem circo, vou fazer programa semelhante: tou indo lá no Jockey fazer uma fé nos cavalinhos. Eu sou ruim pra jogos, tenho um azar do cão! Nunca ganhei nada, nem rifa. Só dou sorte com raspadinha e olhe lá. Mas to começando a me interessar por essas terapias alternativas. A sorte vem com o tempo.

Aqui no Rio de Janeth, se bobear, morre-se de tédio. É preciso algum método para postergar o gran finale. E jogo por jogo, outros também me interessam. Como o jogo do bicho. Um tio meu, que já escreveu bicho, disse que vai me passar as manhas. Se for muito avançado para a minha compreensão, vou ficar no carteado, mesmo.

Falaram que eu estou parecendo um velho, mas eu entendi como piada.

Cambalhotas

Puta vontade de ir ao circo e não vejo NENHUM circo por aí.

Smoke City

Para você, que não me vê mais, todos os cactus do Jardim de Alá e todos os peixes mortos do Canal. Para você as lâmpadas queimadas do Aterro e todas as vitrines com manequins sem cabeça e papel pardo anunciando queima de estoque.

Para você latas de lixo e eletrodomésticos sem garantia. Para você enchentes, goteiras, pias entupidas, descargas com defeito e espelhos quebrados. Para você comidas vencidas, frutas podres, leite azedo, café velho, pão de ontem, jornal de quinta.

Para você Danielle Steel, Sidney Sheldon e Agatha Christie. Para você os piores filmes, as piores músicas, as piores viagens. Para você canetas sem tinta e impressoras sem papel. Para você cachorros doentes, gatos malucos, pássaros em gaiolas.

Para você comícios, arrastões, flash mobs. Para você engarrafamentos. Para você sinal fechado. Para você as listas amarelas e os orelhões quebrados pra saber um pouquinho de mim. Pra lembrar um pouquinho de mim.

Acetona

eu adoro cena de abraço
e uísque num copo com gelo
e gente que sabe pular que nem pipoca
eu adoro boi
boi é um bicho tão vaidoso.

***

eu queria estar no palco
do topa tudo por dinheiro
e quando o silvio gritasse quem quer
eu gritaria EU.

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