Arquivo para Maio, 2005

Dolores Bife Sujo Jornalismo Sensacionalíssimo

Seu filho precisa de um nome
A peleja das mães que não conhecem os pais de seus filhos

da None Pressta

Mulher acasala com gringo que conhece numa roda de Jongo na Lapa numa sexta-feira de Carnaval. Engravida. Não lembra o nome do cara, e perdeu o telefone do hotel onde ele estava há 3 meses. Ele falava inglês, ela não. A mulher alega que o gringo era loiro dos olhos azuis, o que é de uma vasta riqueza de detalhes. Ela jura que foi com ele, sim. E a gente acredita.

O feto cresce e por enquanto atende pelo bonito apelidinho de Wich Will, dado pela madrinha.

Morô? Rrarrái.

Hino da Conquista

Acabo de me lembrar duma bonita canção do Batoré que eu gostava de cantarolar nas horas vagas:

o papo tá bom,
o papo tá bom,
vou ficar mais um pouquinho
eu sonhei com você,
você era a minha mina,
eu era o seu amô
eu rasguei sua calcinha
você disse “Ah, pára, ô”
se você pensa qué bonito sê feio,
qué bonito sê feio…
qué bonito sê feio…
se você pensa qué bonito sê feio,
qué bonito sê feio…
qué bonito sê feio…

Chefia & Paixão Churras Ltda

Tu sabe que é filha do Bill quando num dia como outro qualquer ele te liga e diz To aqui perto do teu trabalho, vim despachar um grupo de executivos que estão embarcando pra Angra prum seminário. Desce e vem me encontrar que eu vou te levar pra jantar fora. Alegria um: carona pra casa. Alegria dois: forrar o bucho de estagiário que só come pão. Alegria três e quatro: não gastar nada por isso e ainda colocar o papo em dia com ele, o que, na pior das hipóteses, significa rir pra caralho.

Me atraso um pouco e ele liga de novo pra indicar pelo celular que Eu to em pé aqui perto da Carioca, na esquina da Rua da Assembléia com a Gonçalves Dias. Chega mais. Pensei Bom, se ele está em frente ao Largo da Carioca, ele deve me levar no Bar Luiz, ou pralgum restô da Lapa que eu curta. E fui caminhando imaginando que pediria um filé à oswaldo aranha naquela linda noite estrelada de sexta-feira. Mas qualquer prato seria motivo de eba. Eu tinha fome.

Alcancei meu pai lá longe esfolando um churrasquinho de gato no palito. Me aproximei da komb, as caixas de som cuspiam aos brados um standard de funk melody das antigas. Do lado de lá do isopor, uma mulher me pergunta “Quer um churrasquinho, paixão?”. Eu era paixão, os outros clientes também. Que mulher amável. E eu pensava no que dizer pro aparentemente marido dela que me chamava de chefia pra saber se pra acompanhar eu ia pedir uma coca ou um guaravita. A cerveja tava quente.

Bill ria maroto da minha cara.

Chefia & Paixão Churras Ltda

Tu sabe que é filha do Bill quando num dia como outro qualquer ele te liga e diz To aqui perto do teu trabalho, vim despachar um grupo de executivos que estão embarcando pra Angra prum seminário. Desce e vem me encontrar que eu vou te levar pra jantar fora. Alegria um: carona pra casa. Alegria dois: forrar o bucho de estagiário que só come pão. Alegria três e quatro: não gastar nada por isso e ainda colocar o papo em dia com ele, o que, na pior das hipóteses, significa rir pra caralho.

Me atraso um pouco e ele liga de novo pra indicar pelo celular que Eu to em pé aqui perto da Carioca, na esquina da Rua da Assembléia com a Gonçalves Dias. Chega mais. Pensei Bom, se ele está em frente ao Largo da Carioca, ele deve me levar no Bar Luiz, ou pralgum restô da Lapa que eu curta. E fui caminhando imaginando que pediria um filé à oswaldo aranha naquela linda noite estrelada de sexta-feira. Mas qualquer prato seria motivo de eba. Eu tinha fome.

Alcancei meu pai lá longe esfolando um churrasquinho de gato no palito. Me aproximei da komb, as caixas de som cuspiam aos brados um standard de funk melody das antigas. Do lado de lá do isopor, uma mulher me pergunta “Quer um churrasquinho, paixão?”. Eu era paixão, os outros clientes também. Que mulher amável. E eu pensava no que dizer pro aparentemente marido dela que me chamava de chefia pra saber se pra acompanhar eu ia pedir uma coca ou um guaravita. A cerveja tava quente.

Bill ria maroto da minha cara.

Não é Hollywood, mas…

De adianto e com bastante delay, o Careless Love, da Madeleine Peyroux, já me deixou bastante feliz por três motivos belíssimas versões das seguintes coisas que eu gosto:

1) Dance Me to the End of Love, do Leonard Cohen

2] You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go, do Dylan

3] Between the Bars, do Elliott Smith (que tá no Either/Or, um dos meus álbuns favoritos do cara)

E é só o comecinho. Vamos ouvir mais. O fato de lembrar a Billie Holiday não me incomoda. Ela não é a Billie. Dá muito bem pra diferenciar.

Música de preguicinha. Adoro.

Perto de Junho

Sábado chope debaixo da lua das Laranjeiras mais pra Cosme Velho que pra Largo do Machado, de onde saí a pé com Róbsu pra calibrar três pra festa no apê na rua ao lado amigo aniversariava. Pessoas conhecidas, birita com gelo no tanque, pães de queijo pastéis pasta de mostarda com queijo minas na vitrola e alguém sendo feliz com Outra Vez pela terceira vez nessa mesma noite. É disso que o velho gosta é isso que o velho quer. Pausa pra recuperar as energias e largar a água no quartão, o maior banheiro do mundo. Três gatos pela casa, que estava cheia, e a gente fazia o auê na cozinha. Mais pessoas conhecidas e o lugar vai ficando insuportavelmente repleto de pessoas conhecidas. Mas ó, curti.

Acordo com ducha gelada e vou tomar um telefonema que me promete carona pra casa mais exatamente da avó para um almoço de domingo ao qual jurei comparecer desde o domingo de páscoa. Róbsu dorme um sono encomendado. Evito ruídos, dobro a cama e saio do banheiro. Viro a roupa do avesso pra dar um new, checo o espelho e na minha boca provo um gosto de fogueira que apagou com água de poço. Desço a escada e vou pisando as ruas do Flamengo pra ir tomar café com o Getúlio Vargas no museu, que eu não sabia se zoológico, mas é que muitas crianças, mas é que hoje é domingo. Tão lhindas, tão lhindo.

Volto com calma e gosto de café. Minha carona enrola e isso faz com que eu trombe num sebo. Por aqui há muitos. E muito bons. Me enfio no lugar, onde há um tempo comprei um Miramar, e vou buscar poesia. Saio da estante com Rilke e Mário. Bate uma dúvida e resolvo conferir se ali havia algum exemplar perdido do livro que prometi a Róbsu no dia anterior. Pro meu susto e prazer: dois. Terceiras edições. Juntei um no saldo, o outro escondi para ir lá buscar depois para alguém que mereça.

O do Róbsu meti num papel que me deram azul, de um azul vergonhoso. Me arranjaram também uma etiqueta com bordados dourados de FELICIDADE, mas na hora de colar acabei esquecendo. Fechei o troço com duréquis e larguei na mão do porteiro junto com um bilhete, a quarenta e cinco passos da esquina da rua. Sábado chope debaixo da lua das Laranjeiras mais pra Cosme Velho que pra Largo do Machado, repito, havia prometido esse livro a Róbsu. E foi puta conhecidência. Mandei brasa e fiquei feliz. Presentear amigos queridos é mais que boa ação, dá um brilho no olho.

Carona chegou na hora exata do atraso que calculei. O almoço me esperava e de quebra a tia me enfiou debaixo do braço o Paixão Pagu, sobre o qual meses atrás, Róbsu havia avisado. Passei o dia inteiro rindo da cara do Oswald e sentindo tua falta. Queria rir contigo e contar as coisas, mas você não vai chegar. Acho que esta carta é boa oportunidade. A Patsy Galvão me tirou umas lagrimotas, mas nada grave, e acabou fuçando algumas revoltas esquecidas. Iron Maiden, aquela mulher era. E acho que há mais por vir, guardei um resto de livro pra amanhã.

Cada dia mais gosto de escrever cartas. É tão gratificante. Até pinta um cansaço, e por isso acho que vou tomar um banho e mais um café. Dessa vez sem a presença ilustre de Getúlio, e veja que ironia eu ter estado com ele e depois cair no livro que caí. Pretendo voltar pra ouvir o último disco da Madeleine Peyroux que eu baixei depois de meses de recomendado. Já ouvi uma música, um bolinho gostoso. Qualquer engasgo, vou beber na Billie. Bem próximas as vozes, não? Não quero achar que seja intencional. E claro, terminar de escrever só mais essa folha.

Enquanto isso abra o beijo em anexo.

sophá
sôufa
so far.

sophá
sôufa
so far.

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