Arquivo para Dezembro, 2004

dei-bai-dei

c

a

i.

LEVANTA.
——————————(chão)——————————

Eleonora Derenkovskaya, a.k.a Maya Deren

Entrou no ar o meu último têquisto do ano pro natelona. A edição é sobre Cinema e Artes Plásticas, e eu fiz sobre a trilha sonora do John Zorn prum documentário sobre a Maya Deren. Não, não vou explicar quem é, vocês vão ter que ler lá se quiserem.

A trilha é instrumental, logo, tentei fazer diferente do que simplesmente resenhação. Senoassim, eu NARREI o álbum. Divididi em três atos, construí a minha história a partir das sensações e viajei. Porém, tive o cuidado de sinalizar a maioria dos instrumentos e ambientações. E claro, transcrevi sons, que é um exercício ducaralho.

Espero que vocês curtam essa Coca-cola. E se lendo o txt, a narração fizer pouco sentido (o que pode acontecer DE FATO), aconselho ouvir a trilha (que é boa). Tá, porra, quem quiser pode baixar de mim. Eu sou bastante open source peer to peer, vocês que não aproveitam.

Agradecimento congratulados ao amigo Marcel Nôa pela dica do NICHO DE VANGUARDA.

O L I N Q U E D I R E T O A Q U I!

torniquete

Quero comprar um produto que me cure as dores de amor. Um produto que lendo, ouvindo ou comendo, eu possa esquecer as dores de amor. Que me dispa, que me doe. Um produto que me faça acreditar, e que me ajude a resolver. Um produto eficiente, um efeito. Algum resultado.

Reclame Institucional VII

babbling brooke

A Gang Do Lixo: arte naïf

Santa Cláusula

Neste vigésimo quarto dia de dezembro, nada faço a não ser encher minha sancha pança. Minha família, esse coletivo inseparável, está no salão com as velas acesas esperando a hora de cantar parabéns pra Jesus Cristo. Eles desejam felicidades e muitos anos de vida ao menino, que de tanto livro e testamento, já viveu demais.

Sinto-me um glutão, preenchido de gás e fúria causada pelo tédio. O acúmulo de comida variada nos órgãos competentes é tão notável que me falta a respiração. A pressão na aorta é tanta que as rabanadas me doem na região do pescoço. Mal consigo posicionar os braços do lado do corpo em sinal de “SENTIDO!”. Estou prostrada como uma samambaia, e daqui só levanto prum encontro caloroso com um Sal de Frutas Eno.

Pensando melhor, que é a única coisa que não me exige AÇÃO, acabo de me recomendar distância do banquete, deixarei que os convivas afoguem as babas nos bens alimentícios que esta data proporciona aos espíritos. Retirar-me-ei para uma soneca religiosa: esticarei o tecido corpóreo no sofá, tombarei a barriga pro lado e dormirei o sono dos cristãos bêbados.

Meus votos de qualquer coisa, entre um arroto e outro, amém.

que me pariu

hoje caiu a ficha de que a única coisa séria que a minha mãe não divide comigo além dos bagos do meu pai é o PLÁSTICO-BOLHA.

o egoísmo reina quando tem algum trapo daquela merda aqui. porra, desde criança essa disputa, que frustração.

Rosângela

- broto, eu sou teu afim.

- eu sei.

- e então, rola?

- desculpe, não estou na pilha.

- ah, broto, p q isso?

- nada.

- ah, broto, explica…

- tenho sono. vou dormir.

- broooooto, nããããooo…

- broto é a putaqueopariu! eu tenho nome.

THOUGHT a GUESS


“I wanted to be a painter, a musician, an actor, it never happened, I am a writer.”

Navid Hassanpour

Pensei numa versão pra isso. Observem:

“I wanted to be a painter, a musician, an actor, it never happened, I am a writer.”

se transformaria em

Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas eu estou aqui pedindo.

rs. dá no mesmo.

SARAL ITERÁRIO

A dramaturga Daniela Pereira de Carvalho e a escritora Ana Luiza Baesso promovem hoje, no Teatro Café Pequeno, um sarau literário que encerra o ciclo de encontros de jovens autores realizados no local ao longo de 2004.

Participarão: as duas moçoilas, Marcelo Moutinho, Crib Tanaka, Francisco Slade, Rodrigo Ielpo, Adilson Barcellos e quem mais topar. Eu não poderei comparecer, mas um texto meu será lido na roda.

O Teatro Café Pequeno fica na Ataulfo de Paiva, 269, no Leblon.
Começa às 20h e o preço é digraça.

Garota, marota e travessa

Silêncio, estou ouvindo A MARROM. Alcione, meu rei, só em CAPS LOCK. Eu me impressiono sempre, a mulher consegue ser meio gospel, meio funk, meio mpb, meio afro. Em canções que, acima de tudo, são grandes sambões românticos. É meio mexicano também, é meia luz, louca bandida, saca? Pra quem conhece as capas dos discos antigos, flores no cabelo, decotes, unhas grandes. Afinal, ela é a LOBA. Rs. E por fim, de leve, o som tem um quê PANTANEIRO. Manja rodas de viola em novelas com pantanal, floresta selvagem? É isso. Um blém blém latino-sertanejo. Semi-João Bosco. Heh. E belamente brega ao mesmo tempo, tão brega quanto falar que é brega e chique.

Camarim e café dos bars. Timtim. Uma voz rouca e dengosa. Uma vez eu disse a uma amiga que a MARROM era a Nina Simone dos pobres. Concordando, a partir de então apresentávamos, ALSIMONE. É papo de diva, é sério. Alcione tem uma das maiores vozes femininas da música popular brasileira. Tem porte. Deveria ser pra exportação. Artigo de luxo, entende? A mulher toca TROMPETE! E outros instrumentos de sopro. Poder, poder! Eu sei que estou parecendo uma bicha aflita na minha defesa, mas é que me enerva os juízos ver que ninguém percebe essa mulher. Fico triste. Apelo aqui, ouçam a marrom. Agora uma observação, pode ser cisma minha, mas não parece que a Alcione tem as mãos quentes e fortes? Mãos generosas, OFERTOSAS? Eu acho. É a impressão que eu tenho quando ela gesticula.

“A loba”, “Sufoco” e “Estranha loucura” estão no meu top 10 da infância, que foi CRESCIDA nos pilares da música chamada “brega”. Até os meus sete, oito anos eu só ouvia Alcione, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Aguinaldo Raiol, Amado Batista, Élson do Forrogode, Adilson Ramos, Evaldo Braga, Belchior, Taiguara, Paulo Sérgio, Dalva de Oliveira, Márcio Greick, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Menudos, Robby (o dos Menudos em carreira solo), Xuxa, Fábio Júnior, Mark Davies (o próprio Fábio Jr. antes de ser Fábio Jr. cantava em INGLÊS. É até bonitinho e aqui em casa tem isso em vinil), Roupa Nova, Tom Jobim, Leila Pinheiro, Fagner, Orquestra Tabajara, Tropicália, Bethânia, Caetano, discos do Ary Toledo e do Juca Chaves, Kátia, Marcelo Augusto, José Augusto, Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, Martinho da Vila, Simone, Agepê, Dalva de Oliveira, Cazuza, Raça Negra e outras manifestações populares. E curto, foi uma miscelânea interessante.

Já ouvi cada coisa que vocês não imaginam. E peço, ouçam A MARROM.

Entradas antigas »