Arquivo para Setembro, 2004
“Acabou a farra: formigas juntam os restos da cigarraâ€
UMA cereja em conserva não cai bem à s cinco horas da manhã. E para arrematar as duas fatias famÃlias de pizza de ontem com sanduÃche de atum e meia coca-cola, basta forrar o estômago com uma cuia de Nescau cereal afogado por um danone de frutas vermelhas. Essa mistura “energia que dá gosto†de sorvete Sem Parar. Porra, o Sem Parar é horrÃvel.
Ah, sim, essa façanha toda meia hora depois de sentir meu estômago flutuando na altura dos meus peitos, como se uma massa dura e comprimida fizesse uma viga bem na direção do coração e elevasse a “criaturaâ€, que eu só sentia bater pela metade desde os dois salgadinhos, duas cevas, um saco de pão de queijo e um Tortinhas à la Oreo no perÃodo pós-almoço antilanche da tarde.
E, pois, a cereja, essa intragável, adereça a torta de chocolate que mato agora, às 8 e minutos, e que foi feita ontem bem cedo. Mas essa porra tem gosto de pão de mel, e convenhamos, pão de mel tem gosto de bolo de chocolate dormido na geladeira. Sem esquecer da SAFRA INTEIRA de café que derramei no tubo de ensaio pra digerir toda essa declaração corajosa.
Burp.
E do quadradinho de Talento Avelã que encaixotei às dez quando voltava da casa da minha avó, que proporcionou metade dessa orgia, já que completava 81 anos e meu primo 28. Só faltou passar na Cornolho pra aliviar a consciência.
What Is This Thing Called Porter
Fui chamada para COLUNAR num site de cinema, o NaTelona. Aceitei. Mas claro, contando com o fato de que NÃO seria OBRIGADA a escrever sobre os filmes em cartaz toda semana, mas sim, e apenas, publicar por mês um mini ensaio sobre o tema escolhido. Fechado.
Só que em conseqüência do FESTIVALDO DO RIO (como eu gosto de chamar para parecer nome de cronista carioca dos idos de João Antônio), esse gigante sufocador que toma conta de todos os assuntos, não foi possÃvel escolher um TEMA especÃfico, a não ser falar sobre, e de, e para, e à respeito do EVENTO.
Porém, houve um acúmulo de cabines de imprensa sobre as cabeças da equipe do saite e até da minha (vi uma prateleira de filmes em apenas cinco dias), e claro, sobrou para moi escrever uma crÃtica. Pediram, lá fui eu pagar de jornal, essa atividade desagradabilÃssima de se exercer.
Eu chafurdei na minha lista (que continha os badalados Má educação e Kill Bill Vol. 2) e escolhi De-Lovely – Vida e Amores de Cole Porter, que assisti na santa paz de deus e companhia do meu amado amigo Rafael Mufumo Sonrisépio Monte, às 10 da matina de uma quarta-feira no espaço unibanco.
Não que o filme seja uma pérola, mas para quem é fã do rapaz, como a moçoila que vos fala, esse micro esforço não chegou a ser exatamente um esforço. É um mezzo musical, mas não vá esperando um Moulin Rouge Da Vida porque até os bailes Aquarela do Brasil do ressuscitado SCALA são superiores àquilo. O De-Lovely é melhor, mas é SETE E MEIO: o bonequinho maroto da redação daqui do FLUC reclamou da pouca quantidade de informação.
Enquanto esse Movie In Rio (corruptela de Rock In Rio) não acaba e as filas na cidade não se contentam em dar apenas uma esticada de dez cabeças (elas precisam dobrar esquinas, quadras e lotes), vocês podem conferir, se apraz, a minha literária observação a respeito da pelÃcula AQUI.
UM FÃ DA PÓLIS
SUSTO. O scrap mais inusitado que já me deixaram em largos meses de Orkut. A gente raramente sabe quem são nossos leitores:
6:25 PM
9/26/04
Stelvio: Gosto do seu blog.
Gosto das poesias.
Gosto da maneira como escreve.
Gosto de você.
Eu sou o Rio.
O Rio somos nós.
Tudo pelo Rio!
Um beijo no coração.
Fique com Deus.
dia três,
PV 43143
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Noção. Só gênio, meu bom, só gênio.
papercuts
“The writing for pleasure you wouldn’t let me read
The things you miss out when you try to mislead
You said you wrote a page about me
In your diary
Trust me with a secret you can’t keep
The writing for pleasure you wouldn’t let me read
The things you miss out when you try to mislead
You said you wrote a page about me
In your diary…”
Isso já faz TANTO tempo.
Carta ao Pretérito Perfeito
Eu sumi pra aparecer com surpresas, mas nada muda muito de uma gripe pra outra. Sim, claro, eu ando meio cambaleante, com as olheiras nas covas e um sono sem fim, aquele de quem passa todo o dia na cama, e da cama pro banheiro e do banheiro pra se afogar na canja quente knorr. Fraca, voz roncada e a garganta cansada, como se eu tivesse falado pra você tudo que eu queria. O médico veio aqui e POR INCRÃVEL QUE PAREÇA mencionou virose. Não discuti, aproveitei a oportunidade para estreitar os laços com a vitamina C. O mais divertido é ter que medir minha temperatura de meia em meia hora, daqui a pouco eu vou começar a achar que o frio que eu sinto é psicólogico e aceitar que eu fervo mesmo e permanentemente, que nem a Uma Thurman no Kill Bill. Eu sempre te pedia pra fechar as janelas. Calor de febre, a água gelada na beira da cama e eu querendo aproveitar essa semana de internação da minha debilitada carcaça debilitada para não medir o volume de coisas inúteis e mecânicas que eu tinha que fazer no trabalho enquanto passava o dia manchando meu estômago de cafeÃna. A vida ainda pode dar certo e pode dar errado, e como só decido meu destino em cima da hora, o que mais tenho feito é esperar.
Mesmo com esse olhar arrastado e esse visual de visitante de UTI, eu tenho pensado em praticar algumas idéias que tive na gripe anterior, e, sem entender o porquê, eu mal consigo tateá-las. Mas elas me visitam. Essas meninas. Engarrafam o trânsito no apartamento, snifam reclamações maciças sobre mim e os malos hábitos. Elas não aturam minha falta de freios, de dizer que todas elas, reunidas, em dupla, sólos, com banda ou sem banda não conseguem me entreter. Flores, bombons, opiniões sobre a vida e Targifor. E dá-lhe Targifor. Elas se confudem entre os cômodos, e eu mal consigo atender ao telefone na sala. Eu não pergunto, pouco quero saber sobre elas, fecho o editor de txt e desligo o computador. Eu me contento com o que eu sei de você e as notÃcias que você me trouxe quando a gente se conheceu. Eu guardo jornais daquela época. Eu ainda durmo e acordo maravilhada com as suas novidades de anos atrás. E meus lençóis estão suados, empapados de mofo. Lembra que você dizia que eu não me abria, que eu não me comunicava? Pois então, depois daquele tempo eu tive uma fase de total abertura, de flexão, de chance.
Ouço muita música nesses dias para efervescer o tédio, repetidas e incessantes ouvidorias atenciosas de quatro mesmos discos, que têm sido de excessos. Sobre a barriga, a bandeja forrada com um pano de prato com bicos de croché me sorri Bom Dia sendo noite ou começo de tarde, me serve de apoio para qualquer tipo de causa: do laptop sem mesinha à leitura zapeada de vários, vários livros ao mesmo tempo: uns poemas, uns contos e romances interrompidos pela minha preguiça de descobri-los até o fim. Revisito tudo. Perdi suas cartas, perdi a vontade, desisto desses começos. Na verdade, abandoei o último romance no approach, mas descobri um autor que me encanta. Minhas juntas doem, se dobram com dificuldde, eu olhei pra dentro e tenho defeitos incorrigÃveis apesar de ser uma velha irreverente, eu não dei nem dou uma chance à paz, regredi bastante, OBSCURECI, voltei ao macaco. Viver dentro da pele é pra poucos, viver pra sentir a vida na pele dos outros é inventar muita loucura pra quem pretende ser normal. Não sei mais, cof, desaprendi a me doar, mas eu me lembro de você. Que frio. Agora eu voltei a ser exatamente do jeito que eu era, e o que eu REALMENTE QUERO, além de parar de espirrar e ter forças pra mastigar os alimentos, é vago porque… momentos assim, desde então, tristes.
Presepada na green grass
“Now so looooooooong, Mariaaa-a-a-a-anne, it’s time that we begaaaaan…
We met when we were almost young
deep in the green lilac park.
You held on to me like I was a crucifix,
as we went kneeling through the dark.
Oh so long, Marianne, it’s time that we began
[to laugh and cry and cry and laugh about it all again...]
Your letters they all say that you’re beside me now.
Then why do I feel alone?
I’m standing on a ledge and your fine spider web
is fastening my ankle to a stone.
Now so long, Marianne, it’s time that we began
[to laugh and cry and cry and laugh about it all again...]
For now I need your hidden love.
I’m cold as a new razor blade.
You left when I told you I was curious,
I never said that I was brave.
Oh so long, Marianne, it’s time that we began
[to laugh and cry and cry and laugh about it all again...]
Oh, you are really such a pretty one.
I see you’ve gone and changed your name again.
And just when I climbed this whole mountainside,
to wash my eyelids in the rain!
Oh so long, Marianne, it’s time that we began
[to laugh and cry and cry and laugh about it all again...]“
SO LONG, MARIANNE [leonard cohen]
La Jeune Fille à Marier
Pique
Pega.
Voltas
voltas
voltas
em vão.
Tu te escondes,
em lato eixo,
te escondes.
Pique
Pega.
Voltas
voltas
voltas
em vão.
Apareces sem saber
quando te escondem
as bordas.
E sempre voltas, voltas em vão.
Bah, SONO atrasado
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzz… é o caralho, COCOROCOCÓ!
Hoje, quinta-feira, 16 de setembro, é o dia do lançamento do livro-conto da Carol Bensimon, o SONO, no sebo Baratos da Ribeiro, (R. Barata Ribeiro, 354 – Copacabana), à s 19h.
Haverá leitura de textos da autora e de outros que quiserem chegar perto do microfone pra engrossar a veia do pescoço, ceva aperitiva porque ninguém é de carne e osso e discotecagem do DJ Ãcaro até à s 21h.
Para quem não sabe, a Carol foi uma das organizadoras do POETIKAOS, e que leu texto meu lá na terra do maTÊ. Ela também coleciona uns trezentos primeiros lugares em concursos literários e tem um livro pronto para ser publicado.
O pequeno objeto custará apenas DUAS PRATAS. Eu não vou comprar porque eu já tenho, mas pintarei por lá pra tirar um cochilo.
FOR FURTHER INFORMATION about Bensima Literature, a BALA acabou de publicar um conto.
Vá “dar uma banda” por lá , vai ser AFUDÊ.

